CCNT realiza formação em “Letramento em Saúde Mental”

Iniciativa do Núcleo de Apoio ao Servidor (NAS) promoveu debates sobre conceitos, diagnóstico e redes de atendimento nos dias 21 e 22 de maio

Nos dias 21 e 22 de maio de 2026, o miniauditório do Centro de Ciências Naturais e Tecnologia (CCNT) da Universidade do Estado do Pará (Uepa) sediou a formação “Letramento em Saúde Mental”. Realizado no horário das 9h às 12h, o evento teve como público-alvo as servidoras e os servidores do centro, buscando promover a conscientização, quebrar estigmas e fortalecer a rede de apoio interno. A ação foi organizada pelo Núcleo de Apoio ao Servidor (NAS) e contou com o apoio da Coordenadoria de Apoio e Orientação Pedagógica (CAOP) e da Coordenadoria Administrativa do Campus (CAD).

A abertura oficial do evento foi marcada pela presença da diretora do CCNT, Prof.ª Dr.ª Elzelis Silva, que fez questão de prestigiar o início dos trabalhos, parabenizar a equipe do NAS e destacar a expansão das ações voltadas à saúde integral dentro do centro.

“Atualmente, trabalhamos de forma estratégica para a implementação do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), uma vez que o CCNT é o único centro que ainda não dispõe dessa estrutura específica, cabendo ao NAS acolher essa demanda. Já iniciamos as tratativas com a gestão superior para consolidar esse projeto. Entendemos a saúde em sua totalidade, como uma rede integrada de cuidado. Meus parabéns a todos os envolvidos.”, declarou a diretora.

Conceitos e Contextualização

A programação do primeiro dia (21) foi ministrada pela Dr.ª Anaclan P. Lopes da Silva, diretora de Desenvolvimento e Assistência (DDA) e coordenadora das unidades do NAS. Com ampla fundamentação teórica, Anaclan introduziu os conceitos iniciais de saúde e saúde mental, contextualizando os múltiplos aspectos envolvidos no bem-estar psíquico, que englobam fatores físicos, sociais, psicológicos e ambientais.

A palestrante também propôs uma reflexão profunda sobre as fronteiras entre o normal e o patológico em saúde mental, trazendo a mudança de paradigma a partir da psicanálise de Freud e os resultados dos conflitos entre normalidade e anormalidade nos sujeitos. Na sequência, detalhou o que caracteriza um transtorno mental, explicando os principais distúrbios presentes nas psicoses, como as alucinações e os delírios, além de introduzir os transtornos mais comuns e de interesse coletivo, a exemplo dos transtornos depressivos.

Durante sua exposição, Anaclan explicou o propósito do tema central da formação:

“Letramento envolve o domínio do código e os significados que têm nesse código. É cultural, mais amplo. Toda vez que vamos nos letrar em algo, conhecemos não só o básico, mas os significados daquele código dentro de uma sociedade”, pontuou.

O encerramento do primeiro dia de atividades contou com a rápida presença da vice-reitora da Uepa, Prof.ª Dr.ª Ilma Pastana. Em seu pronunciamento, ela ressaltou o caráter estratégico e humanitário da formação e compartilhou as metas da administração superior para a expansão do atendimento psicossocial na universidade.

“Esses momentos são de extrema importância para a nossa comunidade acadêmica. Estamos buscando estruturar a nossa universidade para que todos os centros tenham, ao menos, profissionais de psicologia e assistência social atuando diretamente. Queremos avançar firmemente com esse trabalho para que todos tenham acesso a essa formação”, declarou a vice-reitora.

Diagnósticos e Redes de Encaminhamento

No segundo e último dia do evento, sexta-feira (22), as atividades foram conduzidas por Aryanne Gabriela Pinheiro de Souza, psicóloga do NAS/CCNT. A palestrante deu continuidade à abordagem dos Transtornos Mentais (TM) mais comuns e de interesse para o cotidiano institucional, aprofundando o debate nos Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), no Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH), na Deficiência Intelectual (TDI); no Transtorno Afetivo Bipolar; e no Transtorno de Personalidade Borderline.

Para encerrar o ciclo formativo, Aryanne apresentou orientações práticas sobre o direcionamento e acolhimento institucional, respondendo à pergunta crucial: “Para onde encaminhar a pessoa em sofrimento mental?”. Foram detalhadas as condutas adequadas para momentos em crise e fora da crise, além de mapeados os Dispositivos de Tratamento e Acompanhamento em Saúde Mental ativos na rede pública do Brasil.

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